Mostrar mensagens com a etiqueta André Leite. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta André Leite. Mostrar todas as mensagens

2010-03-24

O sentido da vida segundo Aristóteles e Epicuro

Na antiguidade, o sentido da vida consistia em alcançar a verdadeira felicidade.
Aristóteles considerava que esta verdadeira felicidade só seria alcançável num estado de completa apatia, isto é um estado de indiferença sobre tudo aquilo que nos rodeia.
Este filósofo defendia que só a indiferença pelo destino, e uma vida livre de emoções de sensações poderá levar-nos à felicidade.
Com Epicuro, o sentido da vida passa a radicar, não no alcance da felicidade mas na satisfação de desejos e prazeres. Para Epicuro o prazer é a ausência de dor.
Para vivenciar esse prazer é fundamental evitar a dor e para isso não devemos viver com medos ou preocupações.
Porém, não defende uma vida recheada de luxos e excessos, mas uma vida em conformidade com a natureza e com os outros.
Para este filósofo não existia morte pois quando ela existe, ele é que não existe mais. Assim, nós nunca nos encontramos com a nossa morte.
Logo, devemos ocupar as nossas mentes com a nossa vida e desfrutar dela.
Epicuro defendia a ataraxia, isto é, uma ausência de preocupações aliada a uma paz de espírito.
A filosofia de Epicuro tem como base quatro fundamentos que nos permitem livrar de preocupações:

1 – Não há nada a temer quanto aos Deuses ( em geral não interferem na vida humana)

2 – Não há nada a temer quanto à morte (quando a morte chega, cessa a existência)

3 – O prazer é fácil de se obter (se for difícil, não é necessário)

4 – A dor é suportável (se for insuportável, não dura muito)

Seguindo estes fundamentos podemos satisfazer os nossos prazeres e desejos, longe de quaisqueres preocupações e assim encontrar o sentido da vida

Aristóteles/ Epicuro

2010-03-22

Existencialismo - Os seus principais pensadores

O Existencialismo difundiu-se como o pensamento mais radical a respeito do homem na época contemporânea. Surgiu em meados do século XIX com o pensador dinamarquês Kierkegaard e alcançou o seu apogeu após a II Guerra Mundial, nas décadas de 50 e 60, com Heidegger e Jean-Paul Sartre.
Apesar do precursor do existencialismo, Soren Kierkegaard, ser profundamente cristão, os principais filósofos que o desenvolveram e divulgaram, Martin Heidegger e Jean-Paul Sartre, eram ateus, com uma filosofia materialista, bastante pessimista e de carácter ateu.

Soren Aabye Kierkegaard (1813-1855)

Segundo Kierkegaard, o homem tem diante de si várias opções possíveis, é inteiramente livre, e não se conforma com um predeterminismo lógico, ao qual, segundo alguns filósofos, estão submetidos todos os factos e também as acções humanas. A verdade não é encontrada através do raciocínio lógico, mas sim, segundo a paixão que é colocada na afirmação e na sustentação dos factos: a verdade é subjectiva. A consequência da verdade ser subjectiva reside no facto da liberdade tornar-se assim ilimitada. Consequentemente não se pode,assim, fazer qualquer afirmação sobre o Homem.
O pensamento fundamental de Kierkegaard, e que mais tarde veio constituir um fio orientador do Existencialismo, é o seguinte: não existe um projecto básico para o homem verdadeiro, nem uma essência definidora do homem, porque cada um define-se a si mesmo e torna-se assim uma verdade para si mesmo. Daí a frase conhecida que sintetiza o pensamento existencialista: "no homem, a existência precede a essência".
No caminho da vida há várias direcções a seguir, vários tipos de vida a escolher, três dessas escolhas fundamentais são: o modo de vida estético (do indivíduo que não procura nada senão gozar a vida em cada momento); o modo ético (do indivíduo que é extremamente correcto com a família e dedicado ao trabalho), e o modo religioso (dentro de uma consciência de fé).
A liberdade, segundo este filósofo, gera no Homem a angústia que o pode levar, de várias formas, ao desespero. Então, cada decisão é um risco, o que deixa a pessoa mergulhada na incerteza, pressionada por uma decisão que se torna angustiante. Como no modo de vida estético, ele escolherá assim fugir dessa angústia e desse desespero através do prazer e da procura da inconsciência de quem ele é. Outra forma de fuga é ignorar o próprio eu, tornar-se um autómato, como no modo de vida ético.

Martin Heidegger (1889-1976)

Segundo o filósofo alemão Martin Heidegger, a angústia tem uma origem diferente da liberdade. Para ele a angústia resulta da falta da precariedade da base da existência humana. A "existência" do homem é algo temporário, paira entre o seu nascimento e a morte que ele não pode evitar. A sua vida está entre o passado (nas suas experiências) e o futuro, sobre o qual ele não tem controlo, e onde o seu projecto será sempre incompleto diante de uma morte inevitável.
Como uma filosofia do tempo, o existencialismo incita o homem a existir inteiramente "aqui" e "agora", para aceitar a sua intensa "realidade humana" do presente. O passado representa arquivos de experiências a serem usadas no serviço do presente, e o futuro não é outra coisa senão visões e ilusões para fornecer ao nosso presente uma direcção e um propósito.
Portanto, no homem, o ser está relacionado ao tempo e podemos em três fenómenos, compreender como as coisas do passado, do presente e do futuro se manifestam no homem . A unidade desses três fenómenos constitui a estrutura temporal que faz com que a existência seja inteligível, compreensível. São elas: a afectividade, através da qual o Homem se liga ao passado pelo seu julgamento; a fala, pelo qual se liga ao presente, e o entendimento, que é a inteligência com a qual lida com o seu futuro, com a angústia da sua predestinação à morte. No entanto não nos podemos submeter a condicionamentos do nosso passado; não podemos permitir que sentimentos, memórias, ou hábitos se imponham sobre o nosso presente e determinem o seu conteúdo e a sua qualidade. Não podemos permitir também que a ansiedade dos eventos futuros ocupem o nosso presente, retirando a sua espontaneidade e intensidade. Resumindo, não podemos permitir que o nosso "aqui e agora" seja liquidado.
Para Heidegger, a angústia tem como função revelar o ser autêntico enquanto que a liberdade oferece uma oportunidade ao Homem de se escolher a si mesmo e de se governar a si mesmo.

Jean-Paul Sartre (1905-1980)

Sartre foi o filósofo que mais contribuiu com pensamentos sobre a liberdade e chefiou dentro do existencialismo uma corrente ateísta.
Para este filósofo, bem como para Kierkegaard, a ideia central de todo o pensamento existencialista é que a existência precede a essência. Não existe nenhum Deus que tenha planeado o Homem e portanto não existe nenhuma natureza humana fixa que o Homem deve respeitar.
O Homem está totalmente livre e é o único responsável pelo que faz de si mesmo. É para ele, assim como para Kierkegaard, esta liberdade e responsabilidade a fonte da angústia.
Sartre leva o indeterminismo às suas mais radicais consequências., porque não há nenhum Deus e portanto nenhum plano divino que determine o que deva acontecer, não há nenhum determinismo. O homem é livre. Não pode desculpar a sua acção dizendo que foi obrigado por circunstâncias, movido pela paixão ou forçado de alguma maneira a fazer o que faz.

Existencialismo - Os seus principais pensadores

Reunindo as sínteses do pensamento de cada um destes filósofos podemos listar os principais enunciados desta corrente filosófica:
1.-O ser humano enquanto indivíduo, e não com as teorias gerais sobre o Homem. Há uma preocupação com o sentido ou o objectivo das vidas humanas, mais que com verdades científicas ou metafísicas sobre o universo. Assim, a experiência interior ou subjectiva - e aqui está a influência da fenomenologia - é considerada mais importante do que a verdade "objectiva".
2.-O Homem não foi planeado por alguém, para uma finalidade, como os objectos que ele próprio cria mediante um projecto, mas é ele que se constrói na sua própria existência.
3. O mundo, como nós o conhecemos, é irracional e absurdo, ou pelo menos está além da nossa total compreensão. Nenhuma explicação pode ser dada para o facto de ele ser como é.
4. A falta de sentido, a liberdade consequente da indeterminação, a ameaça permanente do sofrimento, dá origem à ansiedade, à descrença em si mesmo e ao desespero. Há um ênfase na liberdade dos indivíduos, sendo esta a sua propriedade humana distintiva mais importante, da qual não pode, de nenhuma maneira, fugir.

2010-03-20

Posição da religião acerca da morte

O problema do sentido da existência humana encontra-se, assim, directamente relacionado com a inevitabilidade da morte. As diversas perspectivas que os filósofos adoptaram perante o tema da morte conduziram a diferentes modos de encarar o sentido da vida, uma vez que aquela é tida por uns como um fim definitivo (é a este nível que a ausência de sentido se torna mais provável) e por outros como a passagem da alma para uma dimensão diferente do mundo terreno, o que permite a defesa da imortalidade.

Se é certo que a morte alheia nos pode trazer dor, ao reflectirmos acerca da nossa podemos ser dominados pelo medo. Medo do desconhecido e até, inclusive, medo do nada, o terror de deixar de ser.

Segundo alguns autores, a própria ideia de imortalidade surge como uma forma de esconder a finitude do ser humano. É, no entanto, para a tese da imortalidade que se orienta grande parte das religiões, garantindo ao crente um conforto espiritual e uma salvação que se encontra para lá dos limites temporais e espaciais da vida humana.

Neste contexto da religião, a salvação indica o supremo bem que o ser humano pode atingir, pressupondo a libertação do mal e das redes do pecado e da culpa. À salvação encontram-se associadas a felicidade, a paz, a glória, a beatitude, a imortalidade, a vida eterna.

Todas as religiões respondem à pergunta acerca do sentido do universo como um Todo, da Vida e da História.

2010-03-19

Posição da religião acerca da morte (Epicuro)


Segundo Epicuro, não há qualquer razão para ter medo da morte, sobretudo quando esta é analisada racionalmente. Afinal, jamais coexistimos com ela : «É verdadeiramente em vão que se sofre por esperar qualquer coisa que não nos causa qualquer perturbação!»Nesta perspectiva de Epicuro compreende-se que, quando somos, a morte não o é, e quando a morte é, somos nós que já não existimos. Ela não tem qualquer relação com os vivos nem com os mortos.
«Estúpido é pois aquele que afirma ter medo da morte não porque sofrerá ao morrer mas por sofrer com a ideia de que ela há-de chegar.»

2010-03-12

O papel e a responsabilidade do Homem nas gerações futuras


Toda a espécie humana é capaz de admitir que deveríamos viver num mundo melhor do que o de hoje em dia. Por isso, no dia-a-dia, o Homem trabalha para que as gerações futuras tenham todas as possibilidades de usufruírem de um sistema socialmente justo, ambientalmente equilibrado e economicamente próspero, por um longo período de tempo. Esse é o princípio do desenvolvimento sustentável.
Independentemente da velocidade e da dinâmica do mundo actual, o Homem tem que reflectir e agir. Reinventar a forma de ser e de fazer, e implantar novas soluções. Soluções que nos levem a um desenvolvimento perpétuo, duradouro e que dê frutos tanto no presente como no futuro.
A sustentabilidade não é uma teoria económica ou um tratado político. Sustentabilidade é uma filosofia de vida, pela qual, basicamente, toda a nossa espécie deve cuidar bem do nosso presente para que as gerações futuras tenham também a possibilidade de usufruir dos avanços tecnológicos e das dádivas da natureza. É um modelo de acção em que todos ganham, tanto as pessoas, como as empresas, bem como a sociedade e o meio ambiente, ou seja, é viver, desenvolver-se e fazer negócios sem esquecer o meio ambiente e a melhoria dos padrões de vida de todas as pessoas.
Também é fundamental a educação. É ela a força transformadora de um país, de uma sociedade e de uma empresa. A educação é essencial para o desenvolvimento da auto-estima e da cidadania. É através desta que podemos formar pessoas e cidadãos cada vez mais conscientes e autónomos.
Quanto mais pessoas, empresas e instituições se envolverem nesta espécie de campanha, melhores condições de vida iremos conseguir no futuro. É assim, bastante importante a contribuição da sociedade mundial, pois se cada pessoa, realizar a sua devida parte, será possível preservar um mundo mais vantajoso para as gerações futuras.

O papel e a responsabilidade do Homem nas gerações futuras (Carl Sagan)

"A Terra é uma anomalia. Em todo o sistema solar, ao que se sabe, é o único planeta habitado. Nós, humanos, somos uma entre milhões de espécies que vivem num mundo em florescência, transbordando de vida. No entanto, a maioria das espécies que existiram não existirão mais. Depois de prosperarem por 180 milhões de anos, os dinossauros foram extintos. Todos sem excepção. Não sobrou nenhum. Nenhuma espécie tem o seu lugar garantido neste planeta. E estamos aqui há apenas 1 milhão de anos, nós, a primeira espécie que projectou os meios para a sua autodestruição. Somos raros e preciosos porque estamos vivos, porque podemos pensar dentro das nossas possibilidades. Temos o privilégio de influenciar e talvez controlar o nosso futuro. Acredito que temos a obrigação de lutar pela vida na Terra - não apenas por nós mesmos, mas por todos aqueles, humanos e de outras espécies, que vieram antes de nós e a quem devemos favores, e por todos aqueles que, se formos inteligentes, virão depois de nós. Não há nenhuma causa mais urgente, nenhuma tarefa mais apropriada do que proteger o futuro da nossa espécie. Quase todos os nossos problemas são provocados pelos humanos e podem ser resolvidos pelos humanos. Nenhuma convenção social, nenhum sistema político, nenhuma hipótese económica, nenhum dogma religioso é mais importante."
(Carl Sagan; 1997, Biliões e Biliões)

O papel e a responsabilidade do Homem nas gerações futuras

«A essência da liberdade, se é que lhe interessa saber, não consiste apenas em ter a galhardia ou a honradez de assumir os próprios erros sem ficar a procurar desculpas a torto e a direito. O indivíduo responsável é consciente do que sua liberdade tem de 'real'. Emprego 'real' no duplo sentido, de 'autêntico' ou 'verdadeiro' e também 'próprio de um rei', aquele que toma decisões sem que nenhum superior lhe dê ordens. Responsabilidade é saber que cada um de meus actos vai-me construindo, vai-me definindo, vai-me inventando. Ao escolher o que quero fazer vou-me transformando pouco a pouco. Todas as decisões deixam marca em mim mesmo antes de deixá-la no mundo que me cerca».
(Fernando Savater em "Ética para meu Filho" - Editora Martins Fontes).

2010-02-02

Análise Crítica (André Leite)

«Qual é o sentido da vida?»
Do meu ponto de vista juvenil é provavelmente uma das perguntas que causam em simultâneo mais desprezo e mais respeito pela filosofia. Por um lado é uma pergunta extremamente vaga e que tem influenciado bastantes disparates. Por outro lado, a necessidade de compreender o sentido da nossa existência é profunda e universal e é capaz de inquietar qualquer alma humana.
Uma dificuldade significativa que rodeia este assunto é a falta de clareza do próprio tema, e as comparações que podemos fazer com outros contextos nos quais procuramos encontrar um sentido, tendem a aumentar a confusão. Quando procuramos o sentido de palavras ou frases tentamos averiguar a forma como normalmente são usadas para comunicar. Porém, a vida não pode ser comparada a uma simples frase. Nada indica que seja usada ou que sirva para representar alguma coisa para além de si própria, e no meu entender não há analogia ou definição que chegue para compreender plenamente esta nossa existência.
Pelo que aprendi e de acordo com cada filósofo que estudei, consegui apreender diversas opiniões e teorias sobre este assunto, que tanta dor e alegria tem causado ao longo do tempo . Desde a teoria de Kierkegaard à de Gabriel Marcel, desde as expressões da pintura à literatura de Albert Camus, tudo passa por um interpretação individual e subjectiva do que de facto fazemos neste mundo.
Mas, como adolescente que sou, compreendo e sempre tentei compreender o que de facto motiva e influencia essa fúria de viver de cada esfera pessoal. É realmente uma tarefa difícil, pois as vivências são de facto, bastante diferentes e não temos a mínima noção do que se passa na mente de cada pessoa. Mas fico-me pelo meu mundo, um mundo ainda bastante precoce, que está em fase de crescimento, um crescimento lento e gradual, mas que perspectiva já uma vida imersa num mar de decisões, de onde irei pescar tanto conquistas e glórias, como mágoas e arrependimentos. Mas se a vida não se alimentasse de tudo isto, poderia dizer que ela tinha algum sentido ? Sinceramente, não . Dispenso também a chamada «linha da vida traçada pelo destino», não passa de mais uma desculpa para o fracasso e para os fracos. Se fomos colocados neste mundo por algo superior ou se nascemos dele, verdadeiramente não importa, importa sim a vontade e a garra que empenhamos ao longo da nossa existência, pois se existimos, existimos por alguma razão...

2010-01-22

Planificação-1

2010-01-04

Planificação-2